Isso não é nada.
Não é um desperdício de tempo.
Não é um ócio.
Isso não é um depois de meio-dia.
Não é um rabisco no papel.
Nem de longe uma pretensão.
Não é um bocejo.
Tampouco uma ironia.
Isso, o que é?
Pode ser o que for!
De todo modo,
Jamais será um poema.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Inveja do meu cão.
queria ser como meu cão
meu cão é doido
muito doido
mas pelo menos parece feliz
ele pula, ele salta
corre desembestado
e não me obedece, o maldito
mesmo eu o alimentando
meu cão é um anarquista
diverte-se às minhas custas
ele corre de mim
pra depois parar e sorrir
com deboche
queria mesmo ser meu cão
eu sou tão doido como ele
mas eu sou um doido doente
não tenho salvação
sou um velho sério e aborrecido
queria ter aquela jovialidade
aquela alegria irracional
correr com a língua de fora
até cansar de ser livre
isso: ser livre sem saber
é a minha inveja dele!
meu cão é doido
muito doido
mas pelo menos parece feliz
ele pula, ele salta
corre desembestado
e não me obedece, o maldito
mesmo eu o alimentando
meu cão é um anarquista
diverte-se às minhas custas
ele corre de mim
pra depois parar e sorrir
com deboche
queria mesmo ser meu cão
eu sou tão doido como ele
mas eu sou um doido doente
não tenho salvação
sou um velho sério e aborrecido
queria ter aquela jovialidade
aquela alegria irracional
correr com a língua de fora
até cansar de ser livre
isso: ser livre sem saber
é a minha inveja dele!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Velho
Sinto como se estivesse ficando velho
Posso nem estar, pode ser só aparência
Impressão.
Mas aí é que está
Não é ser ou estar, é sentir
Me sinto velho.
Eu sinto e me sinto mal
Olho as imagens desbotadas e borradas do passado
E vejo que são poucas, como vazias.
Eu sempre acreditei na inexistência do tempo
Ainda assim eu volto e revolto
Eu retiro e reboto as pás de terra
Não deixo descansar em paz as mortas lembranças
Malfazejas, que vem com chibatas
E deixam em carne-viva a minha vida já tão morta
Posso nem estar, pode ser só aparência
Impressão.
Mas aí é que está
Não é ser ou estar, é sentir
Me sinto velho.
Eu sinto e me sinto mal
Olho as imagens desbotadas e borradas do passado
E vejo que são poucas, como vazias.
Eu sempre acreditei na inexistência do tempo
Ainda assim eu volto e revolto
Eu retiro e reboto as pás de terra
Não deixo descansar em paz as mortas lembranças
Malfazejas, que vem com chibatas
E deixam em carne-viva a minha vida já tão morta
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