sábado, 7 de fevereiro de 2009

Invocação

Canta-me, ó musa,
a minha inglória,
a minha infausta existência,
indigna de ser cantada.

Espalha com teu canto,
ao sabor do vento e do tempo,
o meu fado e a minha dor.
cantá-os, até que se obnubilem no silêncio.

Fazê-o, expôe aos vindouros
a minha sorte e a minha desdita.
Sim, sei que canta com desdém,
pois sou reles mortal, efêmero suspiro passageiro.

Só cantas os mais excelentes hérois,
merecedores da fama inefável
e da glória imorredoura,
através das eras e dos tempos.

Canta-me, ó musa,
os meus feitos grandemente desprezados,
a minha vida diminuta e mesquinha,
E legue ao devir uma vergonhosa fama,
um rumoroso esquecimento embotado...