Entre cálculos trigonométricos
e desenhos fantasmagóricos
o meu corpo se movimenta
como um espectro
como o resultado absurdo
de uma equação matemática
irresolvível.
Se confundindo sutilmente
(o meu corpo, encorpado)
com a sombra formada
por ele mesmo
pela luz trêmula e fria
(corpo? ou sombra? ou ainda - espectro?).
Isso tudo se assemelha a um pesadelo
a um sonho confuso e turvo
logo esquecido no despertar.
Mas que mantém
traiçoeiro
um reles resquício
daquele seu maior medo
que só você conhece
porque só você experimentou.
E que desperta
quando você está mais acordado
quando você mais acreditou
ter domínio da realidade.